Homenageados

2021

Bruno Silva

Bruno Duarte Ferreira Silva nasceu a 17 de maio de 1988, em Vilela, no lugar da Pinta, filho de José Duarte Dias da Silva e Elisabete Moreira Ferreira da Silva. Ciclista Profissional, iniciou o seu percurso académico na Escola Primária de Duas Igrejas, tendo completado o 9º ano de escolaridade na Escola EB 2/3 de Cristelo. O Ciclismo surgiu na sua vida, com cerca de 14 anos, na ADRAP – Associação Desportiva e Recreativa Ases de Penafiel, sendo esse o ponto de partida, na categoria de formação, para todos as conquistas que se seguiram. Humildade, dedicação e espírito de sacrifico são as características que melhor descrevem Bruno, que desde cedo lutou com determinação para alcançar as suas metas dentro de uma modalidade que, tantas e tantas vezes, não é devidamente reconhecida.
Ainda que seja tenra a sua idade, vestiu já a camisola por clubes de renome, entre eles: A Associação Desportiva Recreativa Ases de Penafiel, Velo Clube de Centro, União Ciclista de Sobrado, Clube Ciclismo de Paredes, Clube Desportivo FullRacing e Clube de Ciclismo da Aldeia de Paio Pires, estando orgulhosamente, no momento, a pôr a cara no vento, pelo Clube Desportivo Feirense, na equipa de ciclismo profissional Antarte Feireise.

De época em época são muitos os quilómetros nas pernas de Bruno Silva que levou Vilela consigo em centenas de provas nacionais e internacionais que constam do seu já extenso currículo desportivo.
De trato fácil, ainda que reservado, afirma que o seu propósito é fazer sempre o que lhe é pedido, ajudar a equipa no que for preciso e aproveitar a oportunidade se essa surgir.
Não restam dúvidas que este jovem Vilelense foi aproveitando até aqui todas estas oportunidades, sentindo o seu esforço reconhecido – já que são muitos e significativos os títulos que alcançou:

  • Na Classe Cadete com 15 anos – assistiu à sua primeira vitória – pela ADRAP;
  • Na Classe Sub23:
  • foi vice campeão nacional pela Casa Ativa;
  • ganhou 3 vezes a volta à Madeira pela Casa Ativa;
  • venceu etapa e fez 3º da Geral e 1º da Montanha na ‘Volta Portugal ao Futuro’;
  • ganhou o troféu RTP;

Na Classe Profissional:

  • ficou em terceiro lugar no prólogo da Volta a Portugal;
  • ficou em segundo lugar na geral da Juventude.
    Em 2015, ano que lhe ficará na memória, recebeu o título de Rei da Montanha na Volta a Portugal, o que fez deste atleta um exemplo de perseverança, mérito próprio e de persecução de sonhos – que nos ensina, a todos nós, que apesar de ganhadores devemos trabalhar em prol da garantia de um futuro sempre e cada vez melhor.

Pe. Rubens Marques

Rubens Humberto Ferreira Marques, nasceu a 28 de outubro de 1961, em Angola, mas viveu a sua infância, juventude e início da idade adulta nas Taipas – Guimarães. Pároco, fez o Percurso Sacerdotal, diplomou-se em Teologia de forma exímia e foi ordenado a 12 de junho de 1987. À posteriori foi nomeado para assumir funções como Padre na Paróquia de Vilela, onde durante dez anos se entregou e dedicou de forma inigualável.

Quem nunca ouviu falar no ‘Padre Rubens´? Homem que marcou gerações e gerações, e toda a comunidade, pelo seu forte dinamismo, rigor e sentido litúrgico – traços evidentes que personalizam o seu múnus pastoral. Tornou-se numa figura singular, com visão eclética, diga-se até ‘à frente do seu tempo’ e que se destacou em Vilela porque centrou o seu trabalho na revitalização e criação de grupos para crianças, jovens e adultos com o objetivo central de fomentar a vida da (e na) Igreja.

Foi fundador do Agrupamento de Escuteiros 1039 Vilela, dinamizou ativamente o Grupo de Acólitos, o Grupo de Jovens, o Coro Paroquial e a Comissão Fabriqueira. Iniciou e apresentou a candidatura ao projeto do ‘Centro de Dia’ – que hoje se encontra em funcionamento por este primeiro passo foi dado.

A esta parte, sempre foi líder, exigente e perfeccionista consigo e com os demais porque a sua missão sempre foi a excelência e a melhoria constantes. Durante a década de trabalho em Vilela, formou um círculo forte de amizades, não só pelos grupos pastorais mas também fora deles porque era pessoa de unir. Unir em cada celebração, no cântico, na fé, nas suas idas à escola primária, no jornal que fazia circular pela freguesia; e até nas viagens/excursões que organizava por cá e pelo Mundo.

No edificado foi enormíssima a sua contribuição:

  • as obras na Residência e de Restauro na Igreja Paroquial;
  • as obras na Capela da Nossa Senhora da Hora;
  • as obras na Igreja de S.José.
    São parte desse legado!

É certo que nem sempre foi consensual pela sua ousadia, de toda a maneira, o Pe. Rubens foi (e é) um exemplo na forma como dinamiza uma paróquia, de como aproxima as pessoas da religião, e, essencialmente de como tenta globalizar a sociedade.
Atualmente, é Pároco na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Marquês – Porto, e satisfaz-nos o seu sempre envolvimento nas questões sociais no apoio aos mais desfavorecidos, em específico com a sua atual e importante iniciativa‘Porta Solidária’.

Virgílio Pereira

Virgílio Pereira nasceu a 7 de outubro de 1900 e morreu em 1965. Conceituado etnomusicólogo, era natural da freguesia de Vilela e filho de Francisca Romana Coelho Pereira e do fundador da Banda Musical de Vilela, o professor António Gaspar Pereira.

Desde criança, Virgílio Pereira foi atraído pela música, até porque tinha um ambiente familiar favorável nesse campo. Estudou no Conservatório do Porto e na antiga Academia Mozart e, com apenas 19 anos, era professor do ensino primário e Diretor da Escola Anexa à Normal, no Porto.
Regressando à terra Natal, veio lecionar para Lordelo, em 1924, onde fundou e dirigiu, durante uma década, o “Orfeão Castro Araújo”, formado exclusivamente por trabalhadores rurais, mas que, ainda assim, recebeu a medalha de ouro no 1.º concurso orfeónico de Portugal, realizado no Porto em 1932. Este grupo participou em inúmeros concursos, de que é exemplo o “Rainha das Costureiras”, realizado no Palácio de Cristal, organizado a 29 de março de 1932, e apresentou-se no ano seguinte, a 18 de junho, na Sociedade Martins Sarmento, aquando de uma festa realizada em honra deste filantropo. Em 1934, criou o “Orfeão Oliveira Martins”, com alunos da escola técnica do mesmo nome e, no ano seguinte, formou e dirigiu o Coro Infantil do Porto, constituído por 1600 jovens das escolas oficiais da cidade.

Entre 1941 e 1953, dirigiu o grupo coral “Pequenas Cantoras de Portugal”, constituído por 15 meninas, mais conhecido por “Pequenas Cantoras do Postigo do Sol”, que realizou cerca de 250 concertos em Portugal e no estrangeiro. Entre os anos de 1951 e 1958, foi diretor do Orfeão do Porto, que desenvolveu, neste período, a parte coral da Nona Sinfonia de Beethoven.
Nos últimos anos de carreira, teve a seu cargo o Conservatório, o Orfeão e o Coro Etnográfico da Covilhã. Paralelamente, dedicou-se à recolha e investigação do Cancioneiro no interior do país, tendo publicado no “Douro Litoral” duas coletâneas – os “Corais Geresianos” e os “Corais Mirandeses”. Quando morreu, com 64 anos, preparava a publicação de materiais que recolhera na Beira Baixa, na Guarda, em Felgueiras e em Baião, a pedido da Fundação Gulbenkian. Colaborara pouco antes na constituição do volume “Cancioneiro de Santo Tirso”.

Foi colaborador de “O Tripeiro”, do “Jornal de Notícias” e de revistas periódicas. Foi membro correspondente da
Federação Musical Francesa, sócio da Sociedade Portuguesa de Escritores, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e da Sociedade de Autores e Compositores Teatrais Portugueses.
A 1 de junho de 1957, como reconhecimento pelo extraordinário trabalho desenvolvido em prol da música tradicional, foi agraciado com o Grau de Cavaleiro da Ordem de Instrução Pública.
É assim também que Vilela recorda um homem brilhante, um artista e um autêntico génio que se revelou um exemplo de constância e dedicação.

2020

Centro Social e Paroquial de Vilela

O Centro Social Paroquial de Vilela é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) fundada em 2001 pelo padre Rubens Marques. A sua criação foi fundamentada na necessidade de se criar uma reposta social ajustada a cada situação de forma a promover uma melhor qualidade de vida à população de Vilela e às freguesias limítrofes.

Desde 2001 que dispõe de duas respostas sociais, centro de dia e serviço de apoio domiciliário, que prestam cuidados individualizados e personalizados, à população idosa e a adultos dependentes, bem como as famílias que não possam assegurar, temporária/permanentemente, a satisfação das suas necessidades.

No que respeita à prestação de cuidados e serviços, o centro possui um leque alargado dos mesmos, tais como: atividades socioculturais, lúdico-recreativas, de motricidade e de estimulação cognitiva; alimentação; administração da medicação prescrita; articulação com os serviços locais de saúde; cuidados de higiene pessoal e de imagem; tratamento da roupa; transporte; produtos de apoio à funcionalidade e autonomia; entre outros estipulados em função das necessidades e interesses dos utentes.

Ao longo dos anos, direção e funcionárias esforçaram-se por melhorar as condições e a qualidade de prestação dos serviços. Sendo concedido em 2018, pela Segurança Social do Porto, alargamento da capacidade institucional. Atualmente, a instituição apoia entre quarenta a cinquenta idosos e adultos dependentes. No entanto, a capacidade total da instituição é de cinquenta pessoas na valência de centro de dia e quarenta pessoas na valência de serviço de apoio domiciliário.

Com o COVID19 a instituição viu-se obrigada a remodelar a sua forma de atuar junto da população e, a 13 de março de 2020, tivemos que encerrar a valência de centro de dia. A partir desta data começamos a prestar apoio domiciliário apenas aos utentes que têm pouca ou nenhuma retaguarda familiar e que assim o requereram.

Atualmente, temos a nossa atividade reduzida e tememos a sustentabilidade da instituição.

Cruz Vermelha de Vilela

Até ao início da década de 80, a freguesia de Vilela não possuía nenhuma instituição que socorresse a sua população com eficácia e rapidez, o que obrigava em muitas situações, as vítimas a serem transportadas ao Hospital em veículos particulares. A demora na resposta a um acidente de motociclo no lugar da Pinta, em abril de 1981, foi a gota de água que levou a que população de Vilela entendesse que as vítimas não eram assistidas em tempo oportuno. Por isso, entenderam que era necessário unir esforços e trazer uma ambulância para a freguesia.

Perante a ausência de sede própria, os primeiros locais a acolherem a ambulância e os socorristas voluntários foram habitações privadas deste grupo de pessoas.

O desenvolvimento do núcleo resultou num crescente número de voluntários que se alistaram para integrar a Unidade de Socorro de Vilela. Após meses de formação intensiva, 0 1 . 0 curso de voluntários oficiais contou com 44 elementos e aconteceu a 28 de junho de 1987, data da sua fundação.

Desde então, a delegação da Cruz Vermelha de Vilela tem multiplicado os formandos em socorrismo, no sentido de responder às crescentes necessidades da população, contando atualmente com oito ambulâncias (2 de emergência e 6 de transporte de doentes).

Normalmente, quem recorre à cruz vermelha necessita de cuidados primários, quer seja para ser transportado a uma consulta, quer seja em caso de urgência. De referir que, além de Vilela, estendemos a nossa área de atuação a freguesias limítrofes, tais como Sobrosa, Duas Igrejas, Cristelo, Louredo, pertencentes ao concelho de Paredes, e ainda Arreigada e Modelos, do concelho de Paços de Ferreira. No total, são cerca de 20 mil as pessoas que usufruem dos serviços da Cruz Vermelha, 24 horas por dia e 365 dias por ano.

Atualmente, atravessamos uma fase de exigência para todos nós no que respeita à pandemia COVID-19. Neste contexto, adaptamo-nos a todas as medidas de proteção individual e concebemos um plano de contingência de forma a salvaguardar todos os profissionais e voluntários.

Desde o início que nos encontramos na linha da frente no combate a este vírus e fazemos o transporte de doentes suspeitos de COVID-19 e ainda o transporte de cadáveres (COVID positivo).

Vimos os nossos serviços de transporte a serem reduzidos para menos de metade e consequentemente as receitas a caírem de uma forma drástica.

Debatemo-nos todos os dias com a escassez de equipamentos de proteção individual que, se tornaram um bem extremamente avultado.

Pelo que, agradecemos toda a ajuda que nos possam prestar de forma a fazer face a todas as necessidades.

Estamos conscientes de que esta batalha ainda não terminou, mas seguimos com a certeza que tudo fizemos e fazemos para contribuir para que efetivamente tudo fique bem, porque juntos somos mais fortes!

2019

JOSÉ FERREIRA DA CRUZ

• Nasceu a 02/02/1954 em Vilela;
• Filho de António Ferreira da Cruz e de Clara Ribeiro Ferreira;
• Foi emigrante em Espanha, França e Cabo Verde, ligado à área da construção civil;
• Em janeiro de 1982 criou uma empresa de mobiliário que esteve no ativo até ao ano de 2006;
• Presidente Da Banda de Vilela nos anos 1994-1998;
• Presidente das festas em Honra da Nossa Senhora da Hora no ano de 1996;
• Membro da Direção do Centro Social e Paroquial de Vilela de 2000 até 2019;
• Presidente de Junta de freguesia de Vilela de 2005 a 2017 tendo em 2009 alcançado a maior vitória pelo PSD/PPD em Vilela com 81,34% dos votos;
• Eleito pelos Presidentes das Juntas de Freguesias do Concelho de Paredes, em Assembleia Municipal como representante das mesmas freguesias na Assembleia Distrital do Porto.
• Presidente da Associação para o Desenvolvimento de Vilela nos anos 2010 – 2014;
• Membro da direção de Cruz Vermelha de Vilela de 2012 e ainda em funções;
• Deputado em funções da Assembleia de Freguesia de Vilela.

José Ferreira da Cruz, filho de gente humilde e trabalhadora, desde cedo se agarrou, com luta e dedicação, à vida. Percorreu o mundo em busca de melhores oportunidades, mas regressou a Vilela confiante que seria aqui que encontraria o seu destino. Conhecido e reconhecido como homem de trabalho, sempre conseguiu atingir os seus objectivos com empenho e mérito próprio, sendo esse o exemplo de vida que transmite aos seus filhos. Marido dedicado, pai orgulhoso e avô carinhoso, o Sr. Cruz, ainda hoje, continua a ajudar de forma activa e meramente altruísta sempre que a sua contribuição se mostra necessária.
“Dar sem receber nada em troca”, é este o lema de vida do homem que dividiu o seu tempo com a gente da sua terra. Antes mesmo de enveredar por uma vida política de sucesso, tendo sido sempre eleito pela maioria dos Vilelenses durante os três mandatos que a lei lhe permitiu desempenhar, o Sr. Cruz nunca recusou abraçar causas nobres e integrou e dirigiu diversas associações sem fins lucrativos com vista apenas o bem colectivo e o desenvolvimento da terra que o viu nascer.
Tão fácil é gostar do Sr. Cruz, não fosse o seu círculo de amizades tão vasto quando a sua generosidade e tão forte quanto a sua personalidade, amigos de vida e para a vida, é assim que o Sr. Cruz se faz representar.
É ele o exemplo a seguir por esta nova geração de políticos, tendo um percurso de vida marcado pela humildade, seriedade, rectidão e amor por tudo o que fez e faz. Com a presente e merecida homenagem, a freguesia de Vilela, representada por todos os dirigentes das colectividades associativas, agradecem o Homem e a Obra que nos deixou. José Ferreira da Cruz foi o rosto de Vilela no nosso passado-recente, mas certamente continuará a desempenhar um papel de relevância na atualidade e a ajudar na construção de um futuro mais próspero!
Da sua obra destaca, com orgulho, a retirada da cabine elétrica da capela mortuária e o seu contributo para a construção/alargamento de inúmeras vias da freguesia, desde logo, da avenida de noval e os caminhos que ligam o calvário ao cemitério (Rampa da Escola Número 1, Rua do Penedo, Rua de Casais, Rua Padre J B Pereira e Avenida Padre João Mateus). Quando questionado sobre a sua dedicação às causas sociais, José Ferreira da Cruz não esconde o carinho pelas instituições por onde passou, em particular pelo Centro Paroquial e Social de Vilela e o esforço empregue na criação das novas instalações.
É com orgulho e admiração que nesta primeira cerimónia de homenagem, podemos recordar o Presidente, amigo e companheiro que José Ferreira da Cruz foi e continua a ser para todos nós.

LUCINDA ADRIANA GONÇALVES SILVA TEIXEIRA

• Nasceu a 13/04/1963 e faleceu a 01/06/2014;
• Filha de Américo Moreira da Silva e Ana Rosa Ferreira Gonçalves;
• Fundadora da Feira Medieval de Vilela;
• Vereadora da Câmara Municipal de Paredes de 2002 A 2005 sem pelouro atribuído.
• Presidente da Assembleia da Junta de Freguesia de Vilela de 2009 a 2013;
• Zeladora do altar e membro do grupo coral da paróquia e madrinha dos escuteiros;

Quem era Lucinda Adriana Gonçalves da Silva?! A pergunta que nos afigura mais pertinente é esta: quem não conhece a Adriana?! Na verdade, o carinho da Adriana ainda está bem patente na memória de todos os aqui presentes. Lucinda Adriana Gonçalves da Silva nasceu a 13-04-1963 em Vilela, no lugar de Casais e onde sempre residiu até os seus pais, em busca de uma vida melhor, decidirem, em 1970, emigrar para França. Foi nesse país que concluiu a escola primária, mas a família nunca esqueceu as suas origens e a vontade de regressar à terra sobrepôs-se ao espírito de sacrifício que sempre demonstraram ter. Assim que conseguiram alcançar a estabilidade necessária e tão ambicionada, em 1976, toda a família regressou a Portugal.
O espírito lutador da Adriana e do seu irmão Domingos certamente foi herdado de seus pais que, com admirável audácia, determinação e assertividade decidiram investir todos os frutos colhidos no estrangeiro, na abertura de uma pequena fábrica de móveis em Vilela. Desde cedo que toda a família se dedicou à fábrica e contribuiu para o sucesso que ainda nos dias de hoje é manifesto.
Influenciada pelo dia-a-dia, depois da escola e em todos os momentos livres passado nas instalações fabris e no escritório, a Adriana criou e alimentou o gosto pela organização empresarial e contabilidade, tendo concluído formação nessa área.
Foi graças à Adriana e seu irmão que a “pequena” fábrica de outrora é hoje uma empresa de referência na área da produção de mobiliário nacional e internacional e, França, que acolhera esta família portuguesa, oferecendo-lhes esperança, nos dias de hoje comercializa massivamente os produtos aqui produzidos.
Em 1983 Adriana casa tem dois filhos, Elsa e Tiago. Inegavelmente os seus filhos se revirão na breve descrição da infância da mãe, porque à sua semelhança, encontravam naquela indústria o espírito familiar que nunca se perdeu, sendo a fábrica o local onde todos se encontravam e para a qual todos trabalhavam, desde tenra idade.
Se devemos reconhecer as grandes obras de quem nos deixa, não menos importante será recordar a personalidade gentil, a simpatia contagiante e a bondade reconfortante que a Adriana transbordava. A Adriana nunca esqueceu a comunidade, não se limitando a ser empresária, mas a entrar na casa e nas vidas das pessoas de forma delicada e amiga. De família de costumes religiosos, foi na nossa Paróquia que encontrou o seu propósito, integrando o grupo coral, zelando o altar e amadrinhando o grupo de escuteiros.
As qualidades e mérito da Adriana foram sempre reconhecidas por todos.
Com a aquisição da Casa do Mosteiro, marco importante na história da nossa terra, a Adriana não perdeu tempo para, juntamente com um grupo de benfeitores, dinamizar aquele espaço, abrindo as portas do majestoso Mosteiro de Vilela a toda a população. E assim nasceu a Feira Medieval, que todos os anos nos transporta para o passado e nos recorda o sorriso da nossa Adriana.
Lucinda Adriana Gonçalves da Silva nunca virou costas aos desafios que lhe propunham e oferecia o seu trabalho para o bem comum. Com uma verdadeira postura diplomática, foi vereadora de Vilela eleita pelo PSD de 2002 a 2005 no mandato do Presidente da Câmara José Augusto Granja da Fonseca. Também em Vilela teve uma participação política relevante, tendo presidido à Assembleia de Freguesia de Vilela de 2009 a 2013.
Adriana foi um exemplo na forma como conduziu a sua vida, nunca tendo demonstrado fraqueza, mesmo quando tivera de enfrentar a doença que acabara por lhe roubar, cedo demais, as forças. Em 01 de Junho de 2014 Vilela ficou mais pobre.
E é desta forma singela, mas sentida, que a queremos recordar.

ALFREDO RIBEIRO DA SILVA

• Nasceu a 07/07/1878 em Lordelo e faleceu a 07-01-1962 em Vilela.
• Fundador da Fábrica da Boa Nova em 04-05-1915, denominada Silva Moreira & Ca;
• Em 1917 assumiu a gestão da Banda de Vilela, apelidando-a de “Banda da Boa Nova”
Cargos Políticos
• Membro da Junta de Paróquia de Vilela, ocupando o lugar de Tesoureiro, de 21-12-1908 até 14-11-1910;
• Vogal efetivo da Comissão Executiva de 07-01-1918 a 13-09-1918;
• Nomeado membro da Comissão Paroquial de Rebordosa no ano de 1929:
• Vice-Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de 20-12-1932 a 02-10-1936;
• Administrador do Concelho de Paredes em 1936;
• Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de 02-10-1936 a 17-02-1937;
• Membro do Conselho Municipal de Paredes nos triénios 1937-1940 e 1941-1944;
• Representante dos Grémios no triénio de 1941-1944;
Funções Sociais
• Membro da Comissão de Abastecimento Local de Paredes, na qualidade de representante dos industriais, nomeado em 18-08-1917;
• Membro efetivo da Junta de Repartidores do Concelho de Paredes, para o ano de 1918;
• Secretário da Obra de Assistência dos Pobres (de Vilela) em 1922;
• Jurado criminal para o ano de 1924;

Muito ficará por dizer sobre Alfredo Ribeiro da Silva. A ele, desde já, agradecemos a deliciosa viagem ao passado, que nos fez catapultar na história das nossas gentes. Perceber quem foi Alfredo Ribeiro da Silva fez-nos descobrir quem somos e de onde vimos, tendo a sua memória nos remetido para os mais basilares predicados de quem dedicou a sua vida a pensar no futuro e no bem-estar de quem teve o prazer de o conhecer. Pai de 12 filhos e avô de 22 netos, Alfredo Ribeiro da Silva não é só recordado pela sua numerosa família, mas permanece indelével na memória dos inúmeros trabalhadores e famílias que direta ou indiretamente foram presenteados pela sua extrema generosidade. Alfredo Ribeiro da Silva, partilha com todos os homenageados de hoje, humildes origens e ascensão pessoal e profissional fruto do seu árduo trabalho, tendo começado a trabalhar na antiga e conhecida “Casa do Amaral” como servente.
Movido por uma genialidade inata e personalidade ambiciosa, reconhecida por todos, em 1915, decidiu abrir a Fábrica da Boa Nova (com financiamento vindo dos familiares que foram para o Brasil), primeira unidade industrial na produção de assentos para cadeiras em contraplacado do concelho de Paredes e conseguiu dar passos de gigantes para o desenvolvimento da economia local. A qualidade dos seus produtos impunham-se no país e além fronteiras. Em 1917, na feira de Lyon (França) a Fábrica da Boa Nova foi massivamente elogiada, tendo, mais tarde, a sua importância sido citada numa revista de Paris de referência internacional, a Revue Universelle, número 43 de Junho de 1917, tendo a referida revista exposto uma honrosa apreciação dos quais citamos o seguinte: “é uma indústria toda nova em Portugal. O artigo fabricado pela sociedade Silva Moreira & Ca. era sempre, antes da guerra actual, importado da Alemanha. A produção desta nova fábrica é infinitamente superior, como acabamento, como qualidade, como colagem, desafiando a humidade, aos que até então eram importados dos países germânicos. Estes artigos têm sido objecto de encomendas fortemente importados da Inglaterra. A sociedade nunca expôs, naturalmente, mas agarrou a ocasião da Feira de Lyon para mostrar pela primeira vez a sua interessante produção. A sociedade Silva Moreira & Ca. sustentará valentemente a concorrência, qualquer que ela seja”.
Alfredo Ribeiro da Silva levou e elevou o nome de Vilela em toda a Europa e no Brasil, para onde exportava regularmente. Diz-se que o segredo mais bem guardado do sucesso da Fábrica de Vilela era a cola utilizada feita à base de uma farinha de leite e as técnicas de colagem empregues. No seio da freguesia de Vilela e de todo o concelho de Paredes, Alfredo Ribeiro da Silva, foi assim, o impulsionador da modernização de todo o processo de produção na área do mobiliário e projetou a capacidade e rigor portugueses para uma economia de grande escala, baseada na competitividade internacional. Dizia-se, na altura, que toda a freguesia trabalhava na Fábrica da Boa Nova e, apesar dos inúmeros trabalhadores, todo o pessoal apresentava-se disciplinado, nunca tendo havido, naquela casa de trabalho, verdadeiramente modelar e única, uma só divergência ou reclamação que sejam conhecidas, tal a ordem e método empregues no seu normal funcionamento que se refletiam na imagem do seu fundador, homem de liderança obedecido cegamente e seguido por todos os seus funcionários.
Alfredo Ribeiro da Silva sempre tratou com o maior respeito e dignidade todos os seus trabalhadores e todas as pessoas que cruzavam o seu caminho, tratando-os por alcunhas alusivas à sua personalidade. Nunca era negada sopa e as contas da mercearia eram saldadas pelo patrão sempre que alguém precisava.
Mas nem só de trabalho vive o homem e Alfredo Ribeiro da Silva transpirava poesia na forma como projetava a sua vida. E foi na assunção da gestão da Banda de música de Vilela (que viera a designar de Banda da Boa Nova) quando a mesma ultrapassava uma grande crise fruto da instabilidade mundial despoletada pela guerra, que aquele alimentou a alma ao som da música que ainda hoje ouvimos com muito orgulho, não fosse a Banda de Vilela um projeto em expansão e em claro crescimento e reconhecimento. A banda era a sua “afilhada preferida” e estava sempre nas suas preocupações porque sabia que os seus êxitos se reflectiam também na empresa. Todos os músicos eram funcionários da fábrica e tinham dispensa do trabalho para poderem ensaiar, sendo, igualmente, remunerados por isso.
Não podemos deixar de salientar a participação política activa que Alfredo Ribeiro da Silva desempenhou, tendo sido Presidente da Câmara de Paredes em 1936.
No ano de 1938, como contam testemunhas vivas, houve uma grande festa no recinto da fábrica numa homenagem sentida ao seu fundador que contemplava 60 anos. Músicos, operários e o povo anónimo juntaram-se numa grande manifestação de alegria, enquanto actuavam a Banda da Boa Nova e a banda de Freamunde.
No dia do seu funeral toda a freguesia de Vilela parou para chorar a sua morte. As escolas fecharam e a banda, pela primeira vez, tocou em silêncio absoluto.
E é assim que Vilela recorda o Homem cuja vida ainda nos ensina que o sucesso deve ser sempre alcançado no pleno respeito pelo outro.


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